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domingo, 21 de março de 2010

Mário Tamiya, 58 anos(VITIMA)



Mário Tamiya, 58 anos
Paraná, dezembro de 1996
Cães: três mastim napolitano
Tamiya entrou no canil no quintal de sua casa para alimentar seus cachorros, foi atacado e morreu de hemorragia. O corpo foi encontrado no dia seguinte


http://veja.abril.com.br/140499/p_094.html

As feras do seculo 21


Raças como rottweiler, pit bull, fila e mastim napolitano são resultado de uma combinação genética feita para produzir animais de guarda e de combate. A mordida de um mastim napolitano chega a ter mais de 2 toneladas de pressão por centímetro quadrado. Ele é capaz de matar sem fazer grande esforço. Por isso, em alguns países, a criação dessas raças mais agressivas foi proibida e é bom que o mesmo aconteça no Brasil. Mas a experiência internacional mostra que a forma mais eficiente de combater os animais é cobrar responsabilidade de seus proprietários. Na França, quem tem um cão de raça agressiva é obrigado a registrar-se e ter um seguro para cobrir eventuais danos. Em vários Estados alemães só pode possuir um cachorro perigoso quem tem mais de 18 anos e nenhuma passagem na polícia. Na maioria dos Estados americanos, quem decide criar um cão de estimação pela primeira vez não pode comprar animais como os rottweiler, dobermann ou pit bull, ao contrário do Brasil. Para adquiri-los lá é preciso ser maior de idade e passar por cursos de treinamento. Só depois as autoridades concedem o registro do cão. Menores de idade não podem andar pelas ruas conduzindo animais de grande porte. "Com essa lei, as autoridades cobram responsabilidades dos donos sobre seus cães", afirma o veterinário José Pedutti, de São Paulo.

E, quando os cães atacam, a legislação no exterior é mais feroz em relação aos donos do que os próprios animais assassinos que eles possuem. Nos Estados Unidos, se um cão mata, o dono é preso e condenado a penas de até doze anos de cadeia. O resultado é que as pessoas pensam duas vezes antes de passear garbosas com seus totozões sem coleira. O mesmo acontece na Inglaterra e em outros países europeus. No Brasil, é diferente. Em tese, o dono de um cão assassino pode até ser condenado a pagar multas e ser preso por homicídio culposo, mas isso não acontece. São raríssimos os casos em que a vítima recebe do dono do animal que o atacou ao menos a indenização para as cirurgias plásticas. Nas sentenças de maior rigor, o dono do cachorro é obrigado a distribuir cestas básicas por alguns meses. Chega a ser um incentivo ao crime – ou pelo menos ao pouco-caso e à irresponsabilidade. A desculpa dos donos dessas feras é invariavelmente a mesma: diante de situações de stress, os bichos se tornam incontroláveis. Como se fosse possível cobrar conduta ética de seres irracionais e não de seus donos. São eles que levam os animais a parques, praças e praias, desprezando o risco que impõem aos outros. A cada dia mais de 1.000 pessoas dão entrada em hospitais vítimas de mordidas de cachorro.

Ataque na rua – O brasileiro adora cachorros. Existe um animal para cada cinco habitantes, o dobro do índice recomendado pela Organização Mundial de Saúde. Mas o problema não é o número de cães, e sim a raça do animal e o tipo de dono. Antigamente, a proporção de cães bravos no universo global dos animais de estimação era bem menor do que hoje. Como não existe nenhum controle sério, cada vez que se noticia um ataque, em vez de aversão, cresce a procura por cães assassinos. Os animais bravos já movimentam mais da metade do mercado canino. A procura por cães de guarda aumentou quase 30% nos últimos quatro anos e agora existem no país quase dois rottweiler para cada poodle. Doze anos atrás, não existia por aqui um único pit bull. Hoje, existem mais de 10.000.

Quanto aos donos, os compradores de cachorros bravos e fortes gostam de dizer que, em razão da ausência do Estado, que não lhes dá segurança, precisam de uma raça feroz o bastante para atuar como guarda da casa. É uma boa tentativa de desculpa, mas bastante esfarrapada. Primeiro porque a esmagadora maioria das vítimas foi atacada quando andava na rua. Depois porque os especialistas já perceberam: quem compra um cachorro feroz quer o animal como quem escolhe um carro que anda a mais de 200 quilômetros por hora. Lógico que não é por medo de ladrão que os brutamontes do jiu-jítsu decidiram adotar o pit bull como bicho de estimação favorito. O animal serve para intimidar qualquer inocente que cruze a rua. Uma pessoa preocupada com a segurança da casa ou de si mesma se satisfaria se comprasse um pastor alemão, uma raça clássica, agressiva o suficiente, mas extremamente inteligente e capaz de aprender a atacar apenas em situações de risco. Mesmo assim, muita gente prefere comprar um pit bull, um animal desequilibrado em algumas situações.

Outro argumento insensato usado pelos donos e por certos criadores é dizer que a lei quer invadir a privacidade de alguns, ferindo direitos sagrados. É uma afirmação duplamente infeliz. Primeiro porque só uma legislação mais moderna pode modificar o quadro atual, este sim que fere um direito sagrado das pessoas. No caso, o direito de não ser trucidado. Segundo porque os donos de cães bravos falam de um jeito que sugere alguma culpa por parte da vítima. Ou a vítima correu e – culpa dela – não deveria ter feito isso. Ou passou por um portão e – culpa dela – foi devorada. Ou estava numa praça e – culpa dela – fez um movimento brusco e acabou morta. É tão cretino quanto dizer que a moça provocou o estuprador porque saiu de casa vestindo minissaia. Basta uma olhada na galeria de exemplos dramáticos de pessoas feridas e mortas por cães no rodapé das seis páginas desta reportagem para descobrir quem está do lado certo da discussão. A vida dessas vítimas e a de sua família nunca serão as mesmas. São rostos desfigurados, orelhas arrancadas a dentadas, hemorragias e medo. Muito medo.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Goiânia cria lei para controle de 'cães


28/06/07 - 17h53 - Atualizado em 28/06/07 - 21h34

Goiânia cria lei para controle de 'cães perigosos'

Projeto prevê castração de seis raças, entre elas a pit bull e a rottweiler.
Menores de 18 anos não poderão circular com os animais relacionados.
Uma lei aprovada quarta-feira (27) na Câmara Municipal de Goiânia (GO) que propõe o controle rigoroso sobre cães está causando polêmica, apesar de ainda não ter sido sancionada pelo prefeito. Serão afetadas seis raças de cães: pit bull, rottweiler, bull terrier, mastim napolitano, doberman e fila brasileiro.

Além de proibir a comercialização de animais no município, a lei ainda propõe a esterilização, o registro dos cães no Centro de Zoonoses, a proibição de serem conduzidos por pessoas com menos de 18 anos, o uso de focinheiras e o limite de horário para circulação em locais públicos entre 22h e 5h.

Quem já possui cães dessas raças, mesmo para fins comerciais, deve esterilizar os animais antes de vender e não deve formar novo plantel de nenhuma das raças, conforme explicou o vereador Maurício Beraldo (PSDB), autor do projeto.

O vereador afirma que a morte de um menino de 9 anos no início de junho, que faleceu ao ser atacado por dois cães que guardavam um terreno em Aparecida de Goiânia (GO), teria feito o projeto andar depressa na Câmara e ele “acabou aprovado por unanimidade”, diz Beraldo.
Articulação

O vereador afirma que o prazo para o prefeito Iris Rezende sancionar ou vetar a lei sugerida pela Câmara é de 15 dias, mas ele tem expectativa de que o projeto seja aprovado rapidamente.

Maurício Beraldo afirma que obteve dados de organizações não-governamentais e de veterinários que estimam uma população de 250 a 300 mil cães e gatos em Goiânia. Ele conta que recebeu mensagens de moradores da cidade informando que foram expulsos de calçadões e parques por causa da presença hostil de cães sem focinheiras e muitas vezes conduzidos por crianças. “Um percentual grande são das raças criadas para agredir, como o pit bull”, diz.

Para ele, a lei é fácil de ser implementada porque “praticamente não gera gastos” e envolve uma estrutura de órgãos que já atuam, tais como o Centro de Zoonoses, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e a Secretaria de Fiscalização Urbana.


ReclamaçõesO Kennel Clube de Goiás, organização que realiza o registro de pedigrees e documentações de animais, é contra o projeto. A presidente, Maria Elisa Rizzini, classificou o projeto do vereador de “inconstitucional”, porque assume um papel regulador que, para os criadores, é de alçada do Ministério da Agricultura.

As maiores queixas são sobre as medidas que vetam a comercialização e impõe a castração. “Impedir a circulação em locais públicos não afeta criadores responsáveis, porque vamos apenas em exposições. Determinar focinheiras durante o dia tem nosso apoio, mas para as outras medidas faltou informação ao parlamentar”, afirma.

http://g1.globo.com/Noticias/Brasil/0,,MUL60640-5598,00-GOIANIA+CRIA+LEI+PARA+CONTROLE+DE+CAES+PERIGOSOS.html