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sexta-feira, 11 de março de 2011

05/22/2010

"O cão atacou a bebé, a avó e a tia"

A vida da pequena Francisca Silva, de 13 meses, pode nunca mais ser a mesma depois da tragédia de ontem. Um cão de raça rottweiler atacou a bebé e deixou-a desfigurada.

O ataque ocorreu ontem de manhã, no lugar de Pedrados, em Serzedelo, Guimarães. Segundo a vizinha Maria José, a avó da criança estava a arrancar umas ervas no quintal da família quando o animal se soltou. "Soltou-se e foi contra as rodas do carrinho.
O cão atacou a bebé, a avó e a tia", explicou. De nada valeramos intentos dos familiares, que não conseguiram evitar a ferocidade do cão. Fonte do Bombeiros Voluntários de Riba de Ave explicou ao 24horas o cenário com que os elementos da corporação se depararam no local. "Quando chegámos o cão ainda estava por perto. Encontramos três feridos, todos do sexo fe- minino, com ferimentos vários nos membros inferiores e superiores.

A criança era a que apresentava mais ferimentos e estava inconsciente, muito maltratada, no crânio e na face", sublinhou. A mesma fonte adiantou ainda que o cão fugiu quando se apercebeu da presença dos elementos da corporação, acabando por ser capturado pela GNR de Lordelo e encaminhado para o canil de Guimarães, onde permanecerá até que o processo de averiguações esteja terminado.

Nunca tinha sido agressivo

Segundo o 24horas apurou, o cão pertencia aos pais da criança e nunca tinha sido agressivo com ninguém. Mas ontem algo mudou e o animal acabou por infligir graves ferimentos à criança, que se encontra internada no Hospital São João, no Porto.

A bebé foi transferida para aquela unidade hospitalar e submetida a uma operação plástica de várias horas, que correu bem. Contudo, os próximos dias serão cruciais para se saber se existirão sequelas devido aos ferimentos no crânio.

Já a tia e a avó da pequena sofreram ferimentos de menor gravidade. Ontem, ao final da tarde, os pais de Francisca ainda se encontravam no Hospital São João, onde foram acompanhados por psicólogos no decorrerda intervenção cirúrgica da bebé.

A localidade estava em choque com a notícia e lamentava a tragédia. Apesar do estado da criança ser a grande preocupação dos moradores, alguns referiram o perigo das "raças perigosas", não querendo contudo culpar ninguém. A GNR vai investigar este caso e os pais poderão ser indiciados por crime de negligência.

http://www.24horasnewspaper.com/2010/noticias/9352,O%20c%C3%A3o%20atacou%20a%20beb%C3%A9%20a%20av%C3%B3%20e%20a%20tia.html

domingo, 9 de maio de 2010

Ataque de pit bull:

Ataque de pit bull:
Ataque de pit bull: o cão tem atração pela face e pescoço

A cena é conhecida. O surto violento de um pit bull muda, ou acaba, com a vida de quem está inocentemente no lugar errado, na hora errada.

Enquanto o senado brasileiro discute uma lei polêmica pra cães ferozes, os ataques continuam a acontecer.

Rosane ainda tem pesadelos. "Eu sonho que o cachorro está grudando na minha perna. Esses dias eu dei até travesseirada na perna para espantar o cachorro, um cachorro que não existe", conta Rosane Campos, dona de casa.

Luciana quase não sai de casa. "Eu era super supervaidosa. Eu gostava de me arrumar, de sair bem", diz Luciana Corona,

As vidas dessas mulheres mudaram de uma hora para outra por causa de cães ferozes.

Rosane teve a perna amputada após ser atacada pelo próprio cachorro, em casa, em Salto de Pirapora, interior paulista. Ela buscava segurança, quando adotou um Pitt Bull, o acidente aconteceu menos de uma semana depois, no dia 16 de janeiro.

O cão tinha livre acesso à casa, tanto que, na hora do ataque, Rosane, a irmã e a sobrinha estavam comendo um lanche na cozinha e o pitbull estava ao lado. Quando a menina se levantou para ir ao quarto, o cachorro a atacou. Rosane colocou a perna na frente para defender a criança. Ela e o Pitt Bull foram brigando até o corredor do lado de fora da casa.

"A hora em que ele viu sangue, ele queria mais sangue, sangue, sangue. Isso enfureceu ele", conta Rosane.

"Enquanto ele não arranca aquele pedaço que ele pegou, ele não solta", conta Luciana.

Luciana Corona foi atacada na casa do patrão, em Juiz de Fora, Minas Gerais. O cão também era do tipo Pitt pull. Mais de dois anos depois, ela ainda não gosta de mostrar o rosto todo. "Ainda tem que fazer, reconstruir, ainda estou no bruto, até o refinamento tem muita coisa pela frente", conta Luciana.

"As lesões causadas por pit bull são por arrancamento e, para nós cirurgiões plásticos reconstruirmos lesões por arrancamento é sempre difícil", conta Carlos Eduardo Leão, cirurgião plástico.

O médico é chefe do serviço de cirurgia plástica do Hospital João 23, em Belo Horizonte, referencia nacional em traumatologia. "Essas lesões podem levar a problemas não só estéticos, mas também funcionais, como amputações de membros", diz o médico.

Em 2009, o hospital mineiro atendeu 890 vítimas de cães de todos os tipos. No estado de São pualo, a média anual é de cem mil casos, cerca de 11 por hora.

Mas os números mais preocupantes são outros. São os números referentes aos casos graves, em que a vítima tem que ficar internada no hospital. No ano passado, 509 pessoas foram internadas em todo o país por causa de mordidas de cães. No João 23, quase metade destes casos são causados por Pitt Bull. "O pitt bull tem atração muito grande pela face e pescoço", diz o médico.

"Se você está em vias de ser atacado, a orientação é ficar imóvel, proteger o ponto vital, que seria o pescoço, e não fazer contato visual com ele, não olhar nos olhos dele, que isso para o cão indica uma competição com ele", explica a veterinária Lilian Nascimento.

Pra interromper um ataque os especialistas sugerem que se tenha em casa um extintor de incêndio. "Se você vir uma pessoa sem atacada ou se você mesmo tiver como checar perto do extintor e acionar na cara do cão, ele vai te largar", ensina Antonio Carlos Vale, adestrador.

"Eles dão uma parada e às vezes até correm do barulho e da fumaça do extintor", diz a veterinária.

"Não pode correr, porque o cão vai caçá-lo e ele corre muito mais que a gente. Evite o cão, passe reto, procure de distanciar o mais rápido possível, sem correr", orienta o adestrador.

No Brasil, um projeto de lei para regulamentar a guarda de cães ferozes, segue o caminho de aumentar a punição aos donos dos animais agressores.

O projeto original previa que todos os animais das raças pitt bull e rottweiler seriam castrados. Mas a proposta sofreu alterações e esse item foi retirado. O que levantou uma polêmica: afinal, esses animais devem ou não ser esterilizados?

O relator do projeto é contra. "O que não podemos fazer é especificar a raça, porque daqui a pouco surge outra raça e teremos que fazer outra lei para penalizar estar raça",
Afirma Hugo Leal, relator do projeto de lei.

Mas Isabel Nascimento, presidente de uma das principais entidades de defesa dos animais, a Suipa, defende a esterilização: "A esterilização faz, sim, com que o animal fique bem mais tranquillo, mas dócil e menos impaciente. E com isso vai diminuir bastante a parte de agressões entre outros cães e pessoas".

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